Palestra – Silvio Moreira

O rock e a música popular urbana – Prof. Silvio Moreira

Para um estudo musicológico do rock é necessário especificar o fenômeno musical devido ao gênero em questão. Todavia, a origem desta conceituação de gênero se desenvolveu da classificação da música erudita européia, mais precisamente ao nascimento da historiografia musical no século XIX, refletindo prioritariamente sobre a variedade musical do século XVIII, cuja preocupação exclusiva foi verificar se o processo histórico que dele se seguiu se desviava ou não das formas clássicas então estabelecidas. Os períodos anteriores ao classicismo interessavam somente naquilo que iluminava a elaboração dos modelos clássicos, e ainda que todas as vanguardas rivalizassem de uma maneira ou de outra com estes modelos, a relação de contraste exige necessariamente estabelecer ordenadamente o paradigma daquilo que contrasta.

Este pano de fundo justifica parte da dificuldade da musicologia quando a mesma compreendeu o estudo da música popular. Esta designação foi genericamente posta em contraste ao erudito, mas dado que inúmeras danças consideradas populares construíram as partes da música barroca na ante-sala das formas clássicas, à medida que a musicologia se aprofundou neste problema, tal designação perdeu gradativamente a força de oferecer um critério geral para distinguir os gêneros musicais. A complexidade aumenta em meados do século XX quando a musicologia oferece as primeiras descrições de fenômenos musicais tipificados como folclore. Nas ciências humanas, esta nova delimitação é tão revolucionária que Florestan Fernandes propõe o estudo do folclore em separado da história, da sociologia e até mesmo da antropologia. Em sua pesquisa musicológica, o Dr. Paulo Castagna da Unesp estabelece uma distinção a partir da causa final do objeto musical. Dessa forma, ele consegue dividir com absoluta precisão a produção musical ocidental em dois grupos, o da música tradicional e o da música profissional. Esta divisão concentrada nos fins necessita um complemento para delimitar melhor a forma específica da música popular enquanto produção urbana. Portanto é necessário delimitar antes a noção de urbanidade na música popular, a fim de se compreender o Rock como um de seus gêneros. Ao realizar esta delimitação, uma série de recursos provenientes das formas clássicas se disponibiliza, mas reordenados pela forma breve da música popular urbana, do Rock em particular. Isto não é tão surpreendente caso se leve em conta dois aspectos. Primeiramente, o Rock é um gênero da música ocidental, assim como aqueles do classicismo europeu. Em segundo lugar, mesmo o classicismo bebeu das danças em voga na Europa a partir do Renascimento, e elas representavam a música popular deste período.

Veja a programação geral da II Semana SLROCK neste link:

https://semanaslrock.wordpress.com/2016/06/24/ii-semana-slrock-programacao/

Prof. Silvio Moreira

Eu 01

Graduado em Psicologia (1998), mestre em Filosofia e doutorando em estética pela FFLCH-USP. Atualmente é professor visitante da pós-graduação em Música Popular da Faculdade de Música Souza Lima e professor de estética e hist[oria da m[usica no conservatório filiado à mesma instituição, além de conselheiro fiscal do Instituto Luiz Gama. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Metodologia, Fenomenologia e Estética, e na área de Psicologia, com ênfase em Psicanálise.

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